Resumo
Esta fotografia é dedicada ao João Clemente que, na foto "Sem medos" (http://olhares.sapo.pt/sem-medos-foto5295723.html?nav1 ) desta série expressou uma dúvida muito pertinente sobre estas crianças: "criançada muito alegre, não sei se feliz..".
Sem entrar em reflexões filosóficas do que é a felicidade (uma utopia..., uma abstracção...) essa questão permite-me, neste resumo, dar-vos a conhecer um pouco mais do contexto social e humano em que estas crianças vivem, comparativamente com a maioria das crianças angolanas, uma reflexão baseada no meu profundo conhecimento da realidade Angola, e particularmente das suas crianças um pouco por todo o país, antes e depois da independência, antes, durante e depois da guerra civil que só teve fim em 2001.
O que distingue estas crianças, por ex dos meninos de Luanda?
Qual a razão da sua alegria?
São duas questões cuja resposta, precedida de uma breve contextualização, explica esta realidade.
Os meninos do Mussulo, que acompanho, fotografo e ajudo há mais de oito anos, vivem numa ilha. Apesar da proximidade à grande e densamente povoada Luanda (mais de cinco milhões de habitantes...) na sua grande maioria, não a conhecem. O seu mundo resume-se à ilha onde nasceram e onde continuam a crescer.
Longe do caos, das tentações, dos perigos com que vivem os meninos de Luanda e um pouco por todo o país, não lhes falta o essencial. Os pais, em grande parte ilhéus também, vivem do que o mar lhes dá - o peixe, o marisco.
As famílias no Mussulo mantêm uma estrutura ancestral. Aos mais velhos são respeitados e ouvidos, os mais novos são protegidos e bem alimentados.
A solidariedade existe na comunidade. A entreajuda, as relações entre famílias.
A grande ameaça para esta gente boa é a doença - a Malária, a cólera. Mas, hoje, com as campanhas de consciencialização e de prevenção que têm vindo a ser feitas por todo o país, esses flagelos perderam muito terreno.
O meninos do Mussulo vão à escola, vão ao posto médico e não sabem o que é pedir, o que é passar fome, o que é ver os pais mortos ou mutilados - já nasceram, na sua maioria, em Paz.
Não têm IPods, computadores, brinquedos sofisticados... Mas têm uma imensidão de praia, têm o mar... Constroem, a partir do lixo criativos e engenhosos brinquedos.
Como todas as crianças, como todas as pessoas, têm momentos de tristeza e momentos de alegria. Mas têm momentos de alegria! Muitos, mesmo.
É uma alegria que nasce com eles, que caracteriza, por outro lado, todo o povo angolano que, mesmo vivendo dificuldades para nós inimagináveis, consegue sorrir, cantar e dançar.
Tenho a honra, o gosto e o orgulho de ter proporcionado ao longo destes anos, alguns dos momentos de alegria destes meninos. Tenho-os visto crescer, têm-me visto crescer.
Dia 30 deste mês volto a Angola no âmbito das minhas actividades profissionais e comigo levarei a certeza de os encontrar bem. Levarei uma bola de futebol... Uma corda de saltar e os retratos que lhes fiz e que estão nesta série tão bem acolhida por todos vós - o que agradeço profundamente - por eles. Bem hajam!
Fotgrafia: Ilha do Mussulo, Angola, 11/2012
Na foto com os meninos do Mussulo - a nossa colega e minha mulher Suzana Alvarez que, pela expressão, revela bem a felicidade de os ter conhecido.
Sem entrar em reflexões filosóficas do que é a felicidade (uma utopia..., uma abstracção...) essa questão permite-me, neste resumo, dar-vos a conhecer um pouco mais do contexto social e humano em que estas crianças vivem, comparativamente com a maioria das crianças angolanas, uma reflexão baseada no meu profundo conhecimento da realidade Angola, e particularmente das suas crianças um pouco por todo o país, antes e depois da independência, antes, durante e depois da guerra civil que só teve fim em 2001.
O que distingue estas crianças, por ex dos meninos de Luanda?
Qual a razão da sua alegria?
São duas questões cuja resposta, precedida de uma breve contextualização, explica esta realidade.
Os meninos do Mussulo, que acompanho, fotografo e ajudo há mais de oito anos, vivem numa ilha. Apesar da proximidade à grande e densamente povoada Luanda (mais de cinco milhões de habitantes...) na sua grande maioria, não a conhecem. O seu mundo resume-se à ilha onde nasceram e onde continuam a crescer.
Longe do caos, das tentações, dos perigos com que vivem os meninos de Luanda e um pouco por todo o país, não lhes falta o essencial. Os pais, em grande parte ilhéus também, vivem do que o mar lhes dá - o peixe, o marisco.
As famílias no Mussulo mantêm uma estrutura ancestral. Aos mais velhos são respeitados e ouvidos, os mais novos são protegidos e bem alimentados.
A solidariedade existe na comunidade. A entreajuda, as relações entre famílias.
A grande ameaça para esta gente boa é a doença - a Malária, a cólera. Mas, hoje, com as campanhas de consciencialização e de prevenção que têm vindo a ser feitas por todo o país, esses flagelos perderam muito terreno.
O meninos do Mussulo vão à escola, vão ao posto médico e não sabem o que é pedir, o que é passar fome, o que é ver os pais mortos ou mutilados - já nasceram, na sua maioria, em Paz.
Não têm IPods, computadores, brinquedos sofisticados... Mas têm uma imensidão de praia, têm o mar... Constroem, a partir do lixo criativos e engenhosos brinquedos.
Como todas as crianças, como todas as pessoas, têm momentos de tristeza e momentos de alegria. Mas têm momentos de alegria! Muitos, mesmo.
É uma alegria que nasce com eles, que caracteriza, por outro lado, todo o povo angolano que, mesmo vivendo dificuldades para nós inimagináveis, consegue sorrir, cantar e dançar.
Tenho a honra, o gosto e o orgulho de ter proporcionado ao longo destes anos, alguns dos momentos de alegria destes meninos. Tenho-os visto crescer, têm-me visto crescer.
Dia 30 deste mês volto a Angola no âmbito das minhas actividades profissionais e comigo levarei a certeza de os encontrar bem. Levarei uma bola de futebol... Uma corda de saltar e os retratos que lhes fiz e que estão nesta série tão bem acolhida por todos vós - o que agradeço profundamente - por eles. Bem hajam!
Fotgrafia: Ilha do Mussulo, Angola, 11/2012
Na foto com os meninos do Mussulo - a nossa colega e minha mulher Suzana Alvarez que, pela expressão, revela bem a felicidade de os ter conhecido.


Maravilhoso! Texto emocionante e feliz. Fotografia perfeita de crianças lindas, alegres e saudáveis. Coisas relevantes acontecem no mundo.
*****
BRILHANTE ! Obrigado :)
Bom Trabalho..FOTO/Resumo.
A fotografia tem muito valor!Um resumo que nos deixa a pensar, sobre as diferentes realidades em que as crianças estão sujeitas.
Gosto muito!
Girissima esta imagem!
Aqui lembrei-me de Sebastião Salgado . Ele afirmou que fotografava para tornar o mundo mais humano, esperando que as pessoas não saíssem as mesmas das suas exposições fotográficas, ou seja, que saíssem mais atentas e empenhadas na melhoria do mundo. Obrigado por este belíssimo e tocante momento de Fotografia.
Muito, muito boa.
Gosto muito. Virei com mais calma!
Mas uns mais diferentes que outros. Excelente foto familiar!!!!
excelente foto e resumo. parabéns
Impressionante!
Esclarecedor resumo!
Amei
Grandes! Registo e resumo. E muito bem dedicada! ;)
O fundamental, para mim, na arte fotográfica é a foto expressar o que o fotógrafo é, através de técnica, sensibilidade e criatividade. Gosto dessa foto por isso clico na mão verde.
Que maravilha. Grande abraço
Linda *****
Simplesmente soberba!
Lindo momento. Belissima foto.
Que beleza de fotografia !!!!!!
Expressões captadas com muita mestria !!!
Parabéns !
Excelente meu Amigo, um resumão muito exclarecedor e educativodo cotidiano destas alegras e felizes crianças...
Parabens a Você pelo ato de solariedade e a sua Esposa que te acompanha e participa de tão belo ato, se ela tambem gostar de fotografia vai ser o maximo...
Já pensou em fotografar os brinquedos criados pela Criançada...
Fui criado mais ou menos assim, só que longe do mar no Dertão do nordeste do Brasil, Tinha liberdade, alegria, criava meus proprios brinquedos e sempre fui feliz...
Valeu, uma seria excelente...